Os Muppets foi um programa infantil de muito sucesso nas décadas de 70 e 80, criados por Jim Henson, os fantoches tiveram um programa de TV, além de participar de telefilmes e longas metragens. A última aventura dos queridos personagens ocorreu em 1999, em um filme que não rendeu frutos e o grupo andava no limbo desde então. Eis que 11 anos depois, os Muppets voltam em uma aventura que tem como maior qualidade o resgate da inocência de sua época. Um filme dos anos 80 rodado nos dias de hoje, sem remodelação, sem modernizar nada, apenas a volta dos queridos fantoches em uma aventura simples, divertida e eficiente em suas propostas. A nostalgia permeia toda a produção, e poucas vezes um filme me recordou tanto minha infância. Um filme que agrada adultos e crianças, e prova que os Muppets ainda tem espaço para novas aventuras.
O filme apresenta Walter, um novo Muppet que vive junto a seu ´´irmão`` Gary (Jason Segel) e sua noiva Mary (Amy Adams). Após visitarem o decadente museus dos Muppets em Los Angeles, Walter descobre que o milionário Tex Richman (Chris Cooper) pretende comprar o local para destruí-lo e extrair o petróleo que há no solo. Junto a seus amigos humanos, eles procuram o líder dos Muppets, Kermit (Não mais caco, sabe-se lá porque) para reunir a turma e arrecadar dinheiro para impedir que os estúdios e parte da sua história sejam destruídas.
Escrito, produzido e estrelado pelo ator Jason Segel (ator famoso pela série How I met your mother), o filme é movido pelo carinho de seus realizadores pelos carismáticos personagens. A trama é bem simples e despretensiosa, contando com boas piadas e situações que visam dar tempo de tela aos principais personagens, tudo de forma bem fluida, sem se tornar episódico. Misturando várias piadas metalingüísticas, e em alguns momentos fazendo pesadas críticas (a cena onde eles conseguem o espaço para o programa faz uma piada programas de TV e professores realmente inspirada e pertinente) mesmo que de forma sutil, com números musicais altamente desnecessários (únicos destaques para música do Kermit e o surpreendente rap cantando pelo excelente Chris Cooper), o projeto acerta em cheio ao criar um filme para os fãs da série, não tentando criar um produto novo para uma nova geração de fãs. Essa relação com o tempo é vista em todo o filme, seja em seu design de produção que mistura objetos e estilos de diferentes décadas, nunca deixando perfeitamente claro o tempo em que estamos, até mesmo a platéia do espetáculo é formada basicamente por pessoas mais velhas, representando o que seriam os verdadeiros fãs da série.
Recheados de participações especiais, o carinho mostrado pelos personagens é comovente e fica como prova de que o filme foi realizado pelas pessoas certas. Aliás, é interessante constatar que os atores dessa geração das sitcons estão tentando resgatar obras que mudaram suas infâncias, como também é o caso do seu parceiro na TV Neil Patrick Harris que estrelou o filme dos Smurfs, e também faz uma ponta aqui.
Divertido, inteligente, despretensioso e nostálgico, qualidades estas que agradaram aos fãs de Kermit e sua turma, e com potencial para agradar as novas gerações. Tudo que Hollywood espera de um filme infantil, fato curioso vindo um filme que vai na contra mão de tudo que é feito por lá.
Nenhum comentário:
Postar um comentário