Um filme de espionagem sério, baseado em fatos reais. Essa é a forma como é vendido Os especialistas, filme de ação que se prende a um estrelado trio de protagonistas. Na verdade é mais um filme para Jason Statham compor o mesmo personagem, dessa vez acompanhado por mais dois atores de peso, que sinceramente não sei o que estão fazendo neste projeto. Baseado em um controverso livro que nunca conseguiu provar a veracidade da narrativa, essa obra surge como um primo pobre e mentiroso do excelente Munique, e termina como mais uma declaração de Robert De Niro de que ele não se importa mais com os rumos de sua carreira, pior para nós que nos importamos.
Ambientado nos anos 80, o filme narra a estória de uma dupla de mercenários, após a aposentadoria, Danny (Jason Statham) precisa voltar para um último trabalho para salvar seu antigo parceiro Hunter (Robert De Niro), que se tornou prisioneiro de um perigoso xeique do petróleo. Sua missão, matar 3 ex-agentes do SAS (Special Air Service), fazendo parecer acidente e ainda conseguir a confissão dos mesmos dos assassinatos dos filhos do xeique.
O filme abre com uma sequência excessivamente expositiva que tenta estabelecer a dinâmica entre Danny (aprendiz) e Hunter (mentor), ao mesmo tempo que mostra o quão bom eles são, e como Danny está cansado daquilo tudo. Com diálogos rasos e simbolismos exagerados, essa sequência carece de sutileza (se você é um daqueles que acha estranho cobrar sutileza de um filme de ação, você também deve achar estranho cobrar inteligência do mesmo). O roteiro cria uma premissa que o divide o segundo ato de forma quase episódica, após recebida a missão Danny precisa montar um plano e uma equipe para dar cabo dos agentes do SAS. Episódios estes intercalados com situações e flashbacks terríveis que visam humanizar o protagonista, criando um interesse romântico que não funciona, mas acaba servindo como desculpa para mover o filme rumo ao seu terceiro ato. O final é recheado de pequenas reviravoltas que fazem com que em algum momento todos sejam aliados de todos, tentando dar um ar inteligente e surpreendente, que não alcança esse objetivo e acaba cansando após um tempo.
Apesar de tecnicamente eficiente, os maiores problemas residem no trabalho de seu diretor. Gary Mckendry estréia aqui na direção de longas metragens e falha principalmente na composição das cenas de ação. Usando sempre planos muito fechados, cortes rápidos e ambientes muito escuros, fica difícil para o espectador entender o que acontece na tela em muitas cenas. Nas cenas de perseguição ele não consegue estabelecer uma relação geográfica entre Danny e seus perseguidores, deixando o espectador perdido e impedindo assim qualquer chance de uma tensão maior. Aliás é justamente o estilo de McKendry que acaba por sabotar também a montagem do filme, que buscando igualar a excelente montagem da trilogia Bourne, acaba soando como uma versão ação da terrível franquia de terror Jogos mortais.
Jason Statham (Jogos, trapaças e dois canos fumegantes, Carga explosiva) interpreta o mesmo personagem de sempre. O cara linha dura, que mata com frieza, é durão, e parece estar irritado com isso o tempo todo. O pior é que ele interpreta bem esse papel. Convencendo nas cenas de ação, ele consegue dar credibilidade ao protagonista. Clive Owen (O Plano perfeito, Filhos da esperança) interpreta praticamente o mesmo personagem de Statham, um ex-combatente durão que aparece carrancudo a todo momento e trabalha para um grupo secreto que é uma das coisas mais ridículas que eu já vi em filmes deste estilo. Sendo contra ponto direto do protagonista ele também convence e parece ter sido o que mais se divertiu dentre os principais. Fechando o elenco Robert De Niro (O poderoso chefão II, Os bons companheiros) interpreta um personagem que poderia ter sido interpretado por qualquer ator que se preze. Hunter não exige nada do experiente ator e se torna mais um dos personagens descartáveis de sua extensa e cada dia pior carreira.
Um dos principais defeitos de Os especialistas é alertar para o fato de ser baseado em fatos reais e não ser nem calcado no mundo real. Criando situações absurdas para seu protagonista, o projeto perde força e credibilidade, e um thriller político sobre vingança, acaba mais como um filme de ação mais mamão do que açúcar. Para os fãs do genêro vale o entretenimento raso, mas só para eles.
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