Criar um filme solo para um carismático personagem de uma franquia de sucesso, que vê sua qualidade cair a cada novo filme, não parece ser uma decisão muito segura, pelo contrário, parece uma medida desesperada. Foi assim com Wolverine, um personagem extremamente popular, mas que teve resultados desastrosos. Era de se esperar que o mesmo acontecesse com o carismático Gato de botas. Não há como negar, é um filme caça níquel, mas o filme do bichano tem a vantagem de não gerar expectativa alguma e cresce com a inteligente decisão de seus realizadores ao fugir da comédia de referências de Shrek, criando um filme praticamente independente, que bebe pouco da fonte original, sendo mais uma divertida aventura, do que um filme de comédia propriamente dito. Gato de botas é bem superior aos dois últimos capítulos da sua franquia de origem, para um personagem secundário, isso é bastante coisa.
O filme narra a trajetória de como o gato (Antonio Banderas) se tornou um aventureiro e de como ele ganhou suas botas. Abandonado na infância, ele vai parar em um orfanato, desprezado pelos garotos ele vê no ovo Humpty Dumpty (Zach Galifianakis) seu único amigo. Após passarem toda a vida a procura dos feijões mágicos que os levaria até a galinha dos ovos de ouro, um ato de traição os separa e anos depois com a descoberta dos feijões, eles precisam pôr as diferenças de lado para junto da gata Kitty Pata Mansa (Salma Hayek) conseguir o prêmio que eles tanto cobiçam.
Contando com uma trama simples, com poucas referências a outras estórias (em sua maioria são referências que fogem ao público brasileiro), o filme consegue divertir com cenas de ação empolgantes, intercaladas com algumas poucas, mas boas piadas. O roteiro consegue criar um trio principal interessante, a ligação e a tensão entre eles move a estória com dinamismo. Lembrando em alguns momentos a franquia Piratas do Caribe (outra franquia que já viveu dias melhores), o roteiro traz elementos dos western e só remete a franquia Shrek pela presença do Gato de Botas, porque fora esse fator, tudo é diferente. O próprio personagem é fortemente alterado, só as botas os tornam reconhecível.
A animação exibe a qualidade tradicional da Dream Works Animation, mas aqui é visível uma evolução, principalmente nas cenas de perseguição, a interação dos personagens com os cenários e lógico as feições dos animais misturando características felinas e humanas.
Esse projeto é uma pequena prova de que uma estória mesmo que simples, mas bem contada é motivo suficiente para a existência de qualquer filme. É melhor que assistir a filmes pretensioso que querem revolucionar o mundo, mas falham em seu aspecto primordial, narrar uma estória. Repito, para um personagem secundário, derivado de uma franquia que acabou (espero) mal, Gato de Botas se sai muito bem.
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