Esse é o tipo de filme que só não saiu direto nas locadoras por conta da sua dupla de protagonistas. O que não dá para entender, é o porque uma atriz do porte da Nicole Kidman (não estou questionando suas qualidades, mas sim o fato de sua imagem atrair público) ter aceito participar de um filme como este. O Nicolas Cage eu já deixei de tentar entender, ele vem a anos integrando produções de qualidade questionável, destruindo o que poderia ser uma interessante carreira. Reféns é um clichê, vários filmes como este já foram produzidos, e esse exemplar não traz nada de novo. Imagino que tenha gente em Hollywood realmente precisando gastar dinheiro, pois produzir um filme com essa premissa e ainda escolher o fraco Joel Schumacher para conduzir o filme, me soa no mínimo muito arriscado.
Kyle Miller (Nicolas Cage) é um rico mediador de diamantes, ele tem carro esporte importado, uma mansão gigante, uma linda mulher e uma filha adolescente rebelde. Apesar disso tudo, ele só pensa em trabalho e se distância de sua família. Após voltar de mais um dia de trabalho, ele tem a casa invadida por um bando que seqüestra ele e a esposa querendo os diamantes e o dinheiro que ele guarda em casa. Usando de sua experiência como mediador, ele bate de frente com os seqüestradores, buscando não perder, sua mulher, seu dinheiro e sua vida.
O filme acontece praticamente em tempo real, mostrando eventos que ocorrem em uma única noite. O roteiro do estreante Karl Gajdusek é eficiente em mostrar de forma sutil elementos da estória que serão revisitados no futuro, e com poucos diálogos ele mostra a situação da família. Até esse ponto o roteiro segue muito bem, contando a estória com eficiência se utilizando de pouco, até que a chegada de policiais ao portão da família muda não só a estória, como também a qualidade do roteiro. A forma como os seqüestradores entram na casa é ridícula, para um homem tão preocupado com sua segurança (e não poderia ser diferente) a invasão acontece de forma incoerente e pior, o a trama depois dá elementos que poderiam ser utilizados para fazer a invasão ocorrer de forma satisfatória. Reunindo um bando grande (alguns personagens não tem nenhuma finalidade dentro do roubo) e desestabilizado demais, o roteiro consegue reunir no mesmo ambiente o maior número possível de pessoas fodidas (com o perdão da expressão) e desequilibradas, conseguindo até criar uma tensão, mas as tentativas de criar reviravoltas (algumas até bem sucedidas) a todo momento cansam o espectador. Incoerente também é a forma com que Kyle barganha perigosamente com os seqüestradores, demonstrando um interesse maior por seu dinheiro, do que por sua família, o que faz sentido até um certo ponto da projeção, mas as milhares de reviravoltas conseguem piorar o que já havia funcionado. Em suma o roteiro tenta criar uma trama esperta, mas em uma situação tensa em que a vítima se mostra a pessoa mais preparada (me lembrei do papa-léguas) , sendo ainda o Nicolas Cage (você sabe que ele não vai morrer), tudo perde um pouco da graça.
Dirigido pelo fraquíssimo Joel Schumacher (Tempo de matar, 8MM), diretor de um dos piores filmes de todos os tempos (Batman e Robin) , aqui Schumacher está contido, não prejudicando a produção com seus excessos (esse talvez seja o melhor elogio que possa ser feito a ele).
Assim como seu diretor, Nicolas Cage (Adaptação, Vício frenético) surge em uma atuação sóbria, sem seus excessos característicos (já viraram piada na internet), criando um personagem enigmático e por isso interessante. Usando as mudanças do roteiro a seu favor, ele constrói o personagem mais interessante dentre tantos não carismáticos. Nicole Kidman (De olhos bem fechados,Dogville) interpreta a mãe da família, uma personagem sem carisma, que esperneia o tempo todo, e usa de um possível envolvimento com um dos seqüestradores para criar uma tensão sexual frágil e desnecessária. O roteiro não ajuda sua personagem, e apenas a sua imagem e beleza que acabam realmente acrescentando algo a personagem. Fechando o elenco Ben Mendelsohn (Presságio,Reino animal) interpreta o líder dos seqüestradores, criando uma voz rouca tentando demonstrar agressividade (isso virou moda depois do Batman de Christhian Bale), Ben se sai melhor depois que tudo da errado e a verdadeira natureza do seu personagem aparece.
Reféns é um bom filme para se assistir em casa, de preferência fazendo outra coisa ao mesmo tempo. Não consegue ser um dos piores dos trabalhos de Schumacher, mas também não o ajuda. Excluindo o carisma dos protagonistas, pouco sobra deste suspense, não é a toa que toda a divulgação do filme é feita toda em cima só deles. No fim das contas esse filme se torna um investimento arriscado não só para seu realizadores, mas também para quem o assiste.

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