domingo, 13 de novembro de 2011

A casa dos sonhos ( Dream house - E.U.A. 2011)

            O maior problema deste ´´A casa dos sonhos`` é que seus realizadores realmente queriam fazer um filme sério, até inteligente eu diria. Olhando os créditos não dá para discordar, comandado pelo bom cineasta irlandês Jim Sheridan (Meu pé esquerdo, Em nome do pai) e contando com um bom elenco, esse projeto tinha tudo para ser um suspense sobre famílias em suas novas e misteriosas casas (existem tantos filmes com essa premissa que já virou quase um sub gênero) pelo menos interessante. Mas eis que aqui temos um exemplo excelente de como um roteiro ruim consegue estragar qualquer trabalho, por mais bem intencionado que ele seja. 


            Will Atenton (Daniel Craig) é um famoso editor que está deixando o emprego para poder passar mais tempo com a família e para escrever o livro que ele a muito planeja. Mudando para uma cidade do interior, a família agora vive em uma nova casa. Após estranhos incidentes o casal descobre que aquela casa foi local do assassinato de uma família a cinco anos. Ao investigar o ocorrido Will tenta descobrir os perigos e segredos que rondam sua família. 

            (spoilers a frente) É fácil de encontrar no roteiro o motivo pelo qual o medíocre roteirista David Loucka (Eddie,Borderline) resolveu escrever este roteiro. Consigo imaginar ele assistindo a um dos 300 filmes já feitos com essa premissa, quando ele teve o estalo e resolveu criar um roteiro inteligente, que iria se utilizar de um clichê para criar um filme realmente tenso e diferente. O problema é que, ou seu genial roteiro foi totalmente alterado durante as gravações, ou falta talento ao roteirista. Tendo em vista os talentos envolvidos no projeto, acredito que seja válida a segunda opção. A premissa é manjada, o desenvolvimento da estória e dos personagens é muito ruim, a cena que traz a trama da família vizinha é recheada de diálogos expositivos, e o que dizer dos adolescentes no porão ? É muito barbaridade reunida em tão pouco tempo. E o roteiro segue até a sua metade quando apresenta uma reviravolta (o real motivo para a existência deste filme) que realmente muda tudo no filme (não sei se para melhor). O filme sai de um suspense ruim, para um drama psicológico ruim. As cenas de Will com sua família morta conseguem ser de uma falta de emoção terrível, entediando ao invés de comover, a entrada da família vizinha na trama em nada ajuda e tudo segue ruim até a reviravolta do ato final que enterra de vez a obra. O terceiro ato é muito confuso, a motivação por trás da origem do crime não convence, a dupla de vilões são duas caricaturas,(parecem vilões do Scooby Dôo, surgem do nada no final e você se pergunta quem são esses dois ?), e a indefinição por parte do roteiro se a família morta são alucinações do protagonista ou fantasmas (afinal Libby consegue mover objetos no porão em seu terceiro ato) dão a impressão que o roteirista realmente não tinha um final para sua reviravolta, digo, sua estória. (Consigo até imaginar que ele possa ter deixado essa indefinição quanto a natureza da família morta como forma de parecer esperto).

            Eu realmente não consigo entender como Jim Sheridan assumiu essa bomba. Um diretor de filmografia tão forte, uma filmografia pequena, mas com grandes filmes, filmes intimistas e comoventes, assume um filme raso e totalmente deslocado entre os seus trabalhos. Sua direção é burocrática, como todo o filme.

          Daniel Craig (Cassino Royale,Munique) tem a sua pior atuação. Ele não convence como pai amoroso, suas ações parecem forçadas, suas tentativas de falar de forma carinhosa são irritantes. Sua transformação após a metade não ajuda e suas reações nunca convencem. De interessante só mesmo o aspecto cansado que ele carrega durante todo o filme, mostrando ainda no primeiro ato que a algo de errado com o personagem e a química com Rachel Weisz (O jardineiro fiel, A fonte da vida), esta sim consegue criar uma mãe amorosa, que mostra um carinho e atenção comoventes com suas filhas. Ela é dona do personagem mais verdadeiro,mais intenso da projeção. Já a excelente Naomi Watts (Cidade dos sonhos, 21 gramas ) surge em um papel muito pequeno que não condiz com sua qualidade (também não entendi o que ela faz neste filme).

            A decisão mais sensata de toda a produção veio do seu diretor, que pediu para ter seu nome retirado dos créditos (pedido este não atendido) após ver a tragédia em que seu filme havia se tornado. Acredito que essa decisão diga mais sobre o filme do que qualquer crítica.   
               
 
            

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