Baseado no livro de Kasuo Ishiguro. É um drama disfarçado de ficção científica. Em uma realidade alternativa, A humanidade elevou sua expectativa de vida para 100 anos em 1952, e conseguiu isso através de coleta e transplantes de órgãos. Clones são criados desde criança com o único propósito de servirem de doadores para seus originais quando chegarem a vida adulta. O filme conta a história de Kathy (Carey Mulligan de Orgulho e Preconceito) e seus dois melhores amigos, Tommy (Andrew Garfield, A Rede Social) e Ruth (Kiera Knightley, Piratas do Caribe). Três clones criados desde pequenos em um colégio interno.
A direção é de Mark Romanek. Um diretor de documentários, mas que em 2002 dirigiu o ótimo drama Retratos de uma Obsessão (One Hour Photo) com Robin Williams. Aqui ele assume a responsabilidade de sintetizar um drama peculiar. Como é a vida de um clone consciente do seu papel? Criado para morrer? O que passa pela cabeça de alguém assim?
O problema é que Romanek se perde dentro dessa premissa para se focar na amizade e no "triângulo amoroso" entre os três amigos. Um drama fantasiado de ficção científica, lembra? As informações são dadas aos poucos, o que seria bom se as revelações tivessem algum impacto na história, mas não. nada parece importar muito. O imenso tempo dedicado a construção dos personagens no primeiro ato é praticamente jogado fora depois que eles passam para sua fase adulta, já que nenhum dos traços são relevantes para o restante da trama.
Pra completar, ele introduz uma premissa no filme que soa absurda na primeira vez que você ouve, mas que ele insiste em apoiar todo o seu valor dramático nesse pilar, que acaba desmoronando sem causar espanto nem choque nenhum, já que era uma idéia imbecil desde o início. É um filme que tem dificuldades em te levar pra dentro dele. É fácil identificar os dramas e os conflitos. Difícil é se importar com eles.
Pra compensar as falhas de roteiro, o filme é lindamente fotografado. Assistí-lo em Blu-Ray é de uma satisfação visual absurda. O Diretor de Fotografia Adam Kimmel (Capote) faz um trabalho fenomenal junto com o Design de produção. O filme é lindo, bem fotografado e bem dirigido. A idéia é interessantíssima, mas o texto é bobo e fraco. Para saber se a culpa é do roteirista Alex Garland (Etermínio, A Praia) só lendo o livro original de mesmo título pra ver se a história se salva. Eu confesso que mesmo não gostando do filme, ele me atiçou a curiosidade para ler o livro, que eu tenho certeza que deve ser melhor. Vamos ver. Avisarei quando terminar de ler.
Bom. como uma obra audiovisual, esta é menos "audio" e mais "visual". A impressão que eu tive é que o filme é uma tentativa desesperada de tentar arrancar indicações para o Oscar. Transformou em objetivo o que deveria ser uma consequência e errou feio. Deixe passando de fundo enquanto estiver conversando com seus amigos e aprecie a fotografia que salta aos olhos em determinados momentos.

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