quinta-feira, 1 de setembro de 2011

Lanterna verde - Green lantern - E.U.A (2011)

Contar a trajetória do primeiro humano a carregar o anel da tropa não é uma das tarefas mais fáceis, dificilmente você vai encontrar um personagem com um universo próprio tão rico e complexo. Mas essas mesmas dificuldades também se tornam um atrativo quando pensamos nas possibilidades geradas pelo mesmo universo e seus anéis.  O filme pedia um cineasta criativo e inspirado (o nome do excelente Guillermo Del Toro me veio a cabeça). Mas, o escolhido para reiniciar o universo DC nas telas foi o geralmente competente Martin Campbell. Tendo no currículo o feito de ter dado novo fôlego a série do 007 por duas oportunidades, Campbell parecia ser uma aposta pouco ousada, mas segura.
Daí em diante o filme do gladiador esmeralda se tornou uma sucessão de erros e poucos acertos. E o universo vasto, de infinitas possibilidades, se tornou um local raso, pouco imaginativo e pior, pouco explorado por seus realizadores. O lanterna verde merecia um melhor início nas telas.  

            Hal Jordan (Ryan Reynolds) é um excelente piloto de uma companhia que cria aviões para o exército, impulsivo e arrogante ele afasta a todos a sua volta e tem um caso mal resolvido com a filha do dono da empresa e futura líder dela. Após uma exibição mal sucedida ele é demitido e enquanto afoga ás mágoas, ele é escolhido por um anel intergaláctico que o escolhe como primeiro humano para fazer  parte da tropa dos Lanternas verdes.

            O roteiro escrito a oito mãos é muito ruim. Todos os personagens e suas relações são mal construídas, as motivações e até mesmo seus traumas são mostrados de forma artificial e exagerada, ele é repleto de falas ruins, e fatos acontecem e mudam de uma hora para a outra sem nenhum sentido ou explicação.  A começar pelo protagonista, Hal Jordan, nos quadrinhos um homem de personalidade muito forte, que rivaliza somente com a de Bruce Wayne, aqui surge como um playboy imaturo que após algumas seqüências mostrando que se trata de um homem arrogante e imprudente, é escolhido por um anel intergaláctico para ser o primeiro de uma raça inteira a servir na força policial que defende a todos. Uma escolha não muito inteligente diga-se de passagem. Em seguida ele é levado a OA, o planeta que serve de base para os guardiões e conseqüentemente para toda a tropa, onde ele começa seu rápido treinamento, e mais rápido ainda ele desiste da tropa e volta pra casa como se ir ao espaço e conhecer outro planeta fosse a coisa mais normal possível. Jordan também é retratado como um cara impulsivo que sai e volta da tropa como quer e convence facilmente os guardiões a confiarem em um membro de uma raça, o qual eles mostram desconfiança desde o princípio (sentido não é muito o forte deste filme). E o que dizer da péssima escolha para vilão do filme ? Filmes de super herói precisam de um embate final, de um vilão que bata de frente com o poderoso herói. Aqui Jordan enfrenta uma entidade que controla o medo, e já derrotou vários membros experientes da tropa. Nos quadrinhos Parallax é uma entidade que incorpora em uma pessoa física, se caso isso ocorresse com o personagem Hector Hammond teríamos uma ameaça crível e poderosa, digna de um filme desses,mas o roteiro essa mais uma vez ao pôr Jordan e Parallax  (que é retratado como uma espécie de nuvem gigante) de frente cria um final anticlimático e chato, pois a nuvem (pouco original e mal construída) em nenhum momento cria um real perigo ao lanterna, que derrota sem riscos um vilão que derrotou toda a Tropa.

            O cineasta Martin Campbell  é um bom diretor de cenas de ação, a empolgante cena da perseguição aérea não me deixa mentir, mas fora esse momento todo o filme soa preguiçoso. Ele disse em entrevistas que não conhecia o personagem antes de fechar para o filme, e isso diz muito sobre como a Tropa e OA são retratados. Pouco explorada pelos seus criadores, OA surge até vistosa em um primeiro momento, mas depois ela fica restrita a três ambientes, o local do treinamento, a sala dos guardiões e o local onde Sinestro faz seus discursos, e repare que apesar de aparecerem vários lanternas no plano geral, os mostrados com detalhes são praticamente os mesmos, mostrando uma preguiça na criação e designer de personagens com grande potencial visual. Os efeitos do filme hora agradam, hora destoam. Ao alternar os membros da tropa, alguns criados com CG, outros criados com maquiagem real, o filme cria um contraste interessante e é notável quão melhor fica o resultado da maquiagem, chamando a atenção para os personagens principais, que não por acaso foram feitos dessa forma. Os efeitos das projeções criados pelo Lanterna verde também agradam, e em determinados momentos são os únicos momentos de inspiração do filme. Destauqe negativo é claro o vilão Parallax, que é um tremendo desastre em todos os sentidos, tanto narrativos, quanto visuais.

 Apesar de carismático Ryan Reynolds (X-men Origens:Wolverine, A proposta), não tem cacife para bancar um personagem dessa magnitude, sabotado pelo roteiro então nem se fala, ele pelo menos não faz tão feio quanto Blake Lively (Quatro amigas e um jeans viajante, atração perigosa) que interpreta Caroll Ferris com uma inexpressividade assustadora. A relação do casal é mal construída, hora eles brigam, logo voltam a  se apoiar incondicionalmente, é um relacionamento que muda a todo instante e os péssimos diálogos, associados a falta de expressão de Lively sabotam o casal (nem mesmo a brincadeira da máscara salva a personagem). Ajudando o filme surgem os personagens secundários, que com menos tempo de tela, conseguem destaque graças as boas atuações. O grande vilão do Lanterna, Sinestro surge como líder da tropa, misturando sabedoria e força ao seu papel de líder Mark Strong (Um homem bom, Sherlock Holmes) cria um personagem mais interessante que o protagonista, que após as revelações do final consegue mesmo com pouco tempo de tela criar grandes expectativas. Peter Sarsgaard (Soldado anônimo, Fatal) interpreta Hector Hammond, de longe o personagem mais complexo e interessante da projeção. O único personagem que tem um tempo de construção razoável, e interpretado de forma sádica por Sarsgaard, ele se torna uma ameaça real, uma pena que o roteiro o abandone em seu terceiro em pró de um vilão mal feito e que nunca nos faz temer pelo herói ou por qualquer um. Outro importante personagem na mitologia do lanterna surge criado em CG, e apesar de bem criado tem participação quase que nula na estória. O gigante Kilowog (voz de Michael Clark Duncan) surge como o homem que vai treinar Hal, e logo depois desta terrível seqüência , ele some para só reaparecer ao final para dar os parabéns ao pupilo que ele não treinou. Fechando o elenco, temos Temuera Morrison que interpreta  ABIN Sur, que também com pouco tempo de tela consegue convencer mais como lanterna do que o protagonista. ( O personagem do grande Tim Robins é tão ridículo que não vou nem mencioná-lo) .  

A fraca bilheteria parece retratar o momento, os filmes de super herói estão em baixa, o mercado anda saturado deles e acredito que nem mesmo Os vingadores vão conseguir fugir dessa problema. Ao assumir o comando dos filmes da DC, Christopher Nolan assumiu um grande desafio, maior que o do homem morcego, e o primeiro passo não obteve o resultado esperado. Torçamos para que a ´´guerra`` entre as duas maiores editoras de quadrinhos ganhe as telas, pois até agora a DC está tomando uma lavada.

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