quarta-feira, 24 de agosto de 2011

SUPER 8


J.J. Abrams era um adolescente quando Hollywood sofreu mudanças radicais, com o surgimento dos filmes de verão (hoje chamados de blockbusters) tudo mudou na capital do cinema. O filme que deu origem a este seguimento foi o clássicoTubarão, dirigido pelo ainda desconhecido Steven Spielberg, filme que rendeu muito dinheiro ao estúdio e mudou a forma como os executivos trabalhavam, os estúdios agora procuravam pelo próximo sucesso do verão, esses efeitos são sentidos até os dias de hoje, e como que da noite para o dia Spielberg se tornou o queridinho de Hollywood.
Lançou vários clássicos, outros excelentes filmes, outras porcarias, mas manteve uma carreira constante e interessante. Tendo isso em 
mente Super 8, primeiro projeto de Abrams fora de uma franquia,
surge como uma super 
catarse e uma grande homenagem a uma época e um cinema que provavelmente definiram a vontade de um menino em se tornar um cineasta.

No final da década de 70, um grupo de adolescentes tenta gravar um filme amador, quando em meio as gravações eles presenciam um estranho acidente de trem, que envolve militares e uma estranha criatura. Após o ocorrido o exército invade a cidade e o grupo de adolescentes tentam desvendar o mistério por trás do acidente, ao mesmo tempo em que tentam terminar o filme e lidar com questões familiares e da própria adolescência.
O filme é ambientado no verão de 79, mesma época do surgimento do ´´movimento`` já citado, e tenta fazer parte de uma série de filmes bem sucedidos que já fazem parte do inconsciente coletivo, vários elementos que fizeram desses filmes grandes sucessos estão presentes nesta obra, que apesar da bonita homenagem falha ao não conseguir criar o clima estabelecido pelos filmes da época. Os elementos do inicio da filmografia de Spielberg estão lá, grupo de amigos desengonçados, dramas familiares, ausência da figura paterna, situações decorrentes da adolescência e situações extraordinárias que farão daquele grupo de adolescentes desengonçados uma família especial. E é uma pena que o bom roteirista Abrams não consiga criar uma estrutura para a projeto, o argumento é bom, mas a trama é fraca, a interação dos personagens é ruim, os dramas alheios a estória principal (mas que sempre foram a força real por trás destes filmes homenageados) são descartáveis e o desfecho de tudo é uma decepção. Para um roteirista tão criativo como ele, seu primeiro projeto original é bem abaixo do esperado.
Os melhores momentos do filme fica nas partes envolvendo os adolescentes e o filme noir de zumbis. Tudo ali é muito divertido, a forma amadora em que tudo é feito, a interação entre os personagens que é muito beneficiada pelo bom elenco mirim, a seqüência anterior ao acidente é muito bem realizada criando um dos únicos momentos de real interação do grupo, o outro momento é a cena em que eles discutem o ocorrido em uma mesa de um café, cena esta que merece destaque por mostrar bem aspectos da adolescência, dando credibilidade maior aos personagens. O único relacionamento interessante e bem construído é o do protagonista Joe Lamb (Joel Courtney) com seu par romântico Alice Dainard (Elle Fanning). A situação criada entre as duas famílias não emociona e em nada acrescenta a estória, acredito que um monstro alienígena e a adolescência sejam conflitos suficientes para um jovem casal. Os outros integrantes do grupo são mal construídos e explorados, Charles (Riley Griffiths) surge como o diretor mandão e melhor amigo de Joe, mas que em nenhum momento os dois aparentam realmente gostar um do outro, já o outro participante do grupo Cary (Ryan Lee) surge como um piromaníaco estranho, que é mal utilizado como alívio cômico em algumas cenas. Além do elenco mirim que consegue extrair boas atuações de um roteiro muito fraco, outros destaques da produção ficam a cargo do design de produção que recria com fidelidade a época retratada, os efeitos sonoros do acidente são espetaculares, e é uma pena que os efeitos referentes ao monstro sejam tão pouco criativos lembrando em muito outras criaturas da sétima arte, a trilha sonora composta por Michael Giacchino ( parceiro habitual de Abrams ) é excelente, sendo a trilha o elemento que mais interage com os filmes do época homenageada. São temas que remetem a aventura e fantasias tão bem explorados pelo mestreJohn Williams no passado, que encontra em Giacchino um discípulo. Falemos então da criatura. Assim como em Tubarão,Abrams sabiamente esconde a criatura durante grande parte do filme, criando no espectador uma curiosidade muito grande, mas dessa curiosidade vem a grande decepção. Durante o filme quanto mais sabemos da criatura, menos gostamos dela, apesar dos bons efeitos especiais, a criatura tem um visual pouco inspirado, e ao surgir no final causa uma decepção ao espectador. Aliás toda a seqüência final é ruim, não respondendo a muitas questões e com resoluções artificiais, principalmente em relação aos pais do casal de protagonistas.
A justa homenagem de Abrams ao cinema de Spielberg (que é produtor do filme) acaba se tornando um exemplar muito mediano de um cinema que não é da sua época. E Abrams mostra que ainda deve um excelente trabalho em sua carreira na tela grande ( diferente da sua já consolidada carreira na TV). Espero que ele faça mais trabalhos originais, e que obtenha melhores resultados, ele tem talento para isso. Afinal para o homem que criou Lost (com o perdão do piada), Super 8 parece brincadeira de criança

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