Não tão bom quanto Homem de Ferro. Essa foi a minha primeira impressão ao sair do cinema na terrível sessão 3D do UCI do New York City Center, no Rio. O filme deKenneth Branagh diverte sai definitivamente com saldo positivo no ano, mas nem a boa construção de Thor de Chris Hemsworth e o charme de Natalie Portman conseguiram manter o alto nível imposto por Jon Favreau em Iron Man. Mas por incrível que pareça, isso é um elogio. Thor é definitivamente um bom e divertido filme que junta elementos de super-herói com mitologia nórdica. Vale o ingresso para a versão 2D, já que a versão em 3D realmente não acrescenta em nada.
Na primeira cena, já começamos com Natalie Portman e sua equipe realizando pesquisas meteorológicas no deserto de New Mexico. Eles presenciam um estranho fenômeno, e dirigindo as cegas em meio a nuvens de areia e neblina, acabam atropelando uma estranha figura que vagava sem rumo pelo deserto. Um começo discreto para um filme grandioso.
Eu sempre fiquei me perguntando como Thor se encaixaria no universo pseudo-realista de Homem de Ferro. Me parecia meio forçado que o Deus Nórdico do trovão desceria dos céus para juntar forças com um Homem de Ferro (que por sinal não é nada perto do Thor). Branagh consegue achar o perfeito equilíbrio entre mitologia e ficção-científica e criou um universo crível e ao mesmo tempo, fantástico.
No Cosmos existem 9 mundos civilizados que estão interligados por wormholes, que os cientistas chamam de “Pontes de Einstein-Rosen” e os antigos nórdicos se referiam como “Pontes de Arco-Íris”. Esses mundos são Asgard, Midgard (Terra), Jotunheim, Vanaheim, Alfheim, Musphelheim, Svartalfheim, Nidavellir e Nifheim.
Thor Odinson é filho de Odin (dãh...), rei de Asgard. Os Asgardianos possuem tecnologia que os permite viajar pelos wormholes e visitar qualquer um dos 9 mundos. Na antiguidade, em uma de suas visitas a Terra, eles foram recebidos e cultuados como Deuses pelos antigos nórdicos que abraçaram a sua cultura e os adoraram por gerações e gerações.
Com essa premissa, Branagh nos leva ao lado desse personagem fantástico que aqui ficou bem mais interessante do que suas versões nos quadrinhos. Quando está armado de seu martelo Mjolnir, Thor se torna invencível. Na Terra, Ele é tãooverpower que o filme não conseguiu apresentar vilões pra ele, e fica difícil imaginar qualquer coisa sobrevivendo a um único golpe de seu martelo.
Chris Hemsworth faz um Thor muito bom, que assim como Christopher Reeve no clássico Superman, ele é ao mesmo tempo herói e alívio cômico do filme. Natalie Portman interpreta Jane, a mocinha e interesse romântico do herói, mas sua escolha não me parece coerente, já que ela recentemente ganhou um Oscar e assim como Jon Favreau, saiu dos patamar Marvel de cinema, estando em um outro nível de cachê que o estúdio não está disposto a pagar. Acho improvável ela voltar para reprisar esse papel em um futuro segundo filme ou até mesmo em Os Vingadores. Uma pena. Anthony Hopkins está perfeito como o Rei Odin e Tom Hiddleston também está bem no papel de Loki, porém o restante do elenco de apoio não está tão bem. Os quatro guerreiros que vão a Terra tentar resgatar Thor são caricaturas extremas e desnecessárias para a história. A dupla de cientistas que acompanha Natalie Portman também caem nos clichês de cientista coroa e estudante maluquete.
O roteiro tem alguns furos toscos que não condizem com a qualidade do filme. O relacionamento de Thor e Jane é muito mal explorado e fica a impressão de que eles se apaixonaram instantaneamente ao invés de construírem um relacionamento.
Visualmente, o filme é impecável. Os efeitos são fantásticos mas muito mal explorados na versão 3D. Os trajes dos Asgardianos também condizem com o padrão do universo Marvel no cinema. Se você olhar lado a lado os uniformes de Thor, Homem de Ferro e Capitão América verá que eles se complementam e cabem dentro de um único universo. Talvez, a parte mais interessante do filme seja o desenrolar do universo Marvel que vai se ampliando cada vez mais. É legal ver como todos esses personagens se conectam e cria uma antecipação em relação ao lançamento do filme dos Vingadores, previsto para o ano que vem.
Um filme definitivamente bom, mas como eu disse, não tão bom quanto Homem de Ferro, mas possivelmente melhor do que o do Capitão América. Vamos ver. Mas mesmo assim merece um sonoro Booyah!

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