Antes de começar a assistir Bruna Surfistinha pensei: “Será mesmo que a história de Raquel Pacheco é tão interessante assim?”. Confesso que tinha um certo preconceito contra o filme. O livro “O Doce veneno do Escorpião” que deu origem ao filme não é nada especial. Mas mesmo assim fui confiante. Nas mãos de um diretor estreante, ansioso por realizar um bom trabalho, até uma história medíocre pode se tornar em um filme decente. Infelizmente isso não aconteceu.
Dirigido pelo estreante Marcus Baldini, o filme é baseado no livro de Raquel Pacheco, mais conhecida como Bruna Surfistinha. Raquel é uma filha adotada por uma família problemática. O pai ausente, mãe submissa, irmão puxa-saco.
Raquel tomou uma decisão consciente. Fugiu de casa e virou puta. Mas ela não virou qualquer puta. Bruna Surfistinha foi um verdadeiro fenômeno pop. A garota de programa com cara de patricinha e jeitinho de ninfeta era o hit da internet na época. Seu blog computava mais de 5 mil hits diários. Lá ela blogava sobre clientes e histórias da profissão.
Logo de início, damos de cara com Debora Secco caracterizada como a adolescente Raquel. O trabalho de maquiagem e figurino foram ótimos e realmente conseguiram rejuvenescer a atriz. A arte foi assinada por Luiz Roque. Outro iniciante na carreira. Esse é o seu segundo longa, ele também foi diretor de arte de Ainda Orangotangos de Gustavo Spolidoro. Filme que ficou conhecido por ser um único plano sequência do início ao fim.
Em Bruna Surfistinha, não temos uma identidade definida. O filme tenta ser várias coisas, mas no fundo ainda tem cara de filme universitário. E o Diretor de Fotografia não é nenhum novato. Marcelo Corpanni já tem na carreira longas como Quanto Vale ou é Por Quilo? E Tainá – Uma Aventura na Amazônia. Não que os filmes sejam bons, mas já mostra que o fotógrafo tem experiência na função. Aqui ele eté tenta inovar com um plano mais ousado, mas acaba sempre caindo no óbvio e na repetição, como no uso excessivo de efeitos de foco e zoom, o que torna o filme cansativo as vezes.
Baldini, na direção, também se limitou ao óbvio. Talvez pelo peso de dirigir o primeiro longa, ele tenha se contido um pouco. A falta de ousadia e originalidade na direção faz com que o filme passe batido, deixando todo o peso nas costas do elenco.
Debora Secco faz muito bem a personagem título do filme. Ela alterna muito bem entre menina, ninfeta, puta e mulher. É nela que o filme se apoia e ela consegue realmente levar nas costas. O filme, quero dizer... O resto do elenco conta comCássio Gabus Mendes e Drica Moraes. Esta que aliás, também da um show. De longe o personagem mais interessante do filme. Talvez por associar Drica a papéis cômicos ou mais leves, tomei um choque ao vê-la como uma cafetina cansada. Mas ela realmente veste a pele da Larissa, a dona do bordel onde Bruna trabalhou boa parte da sua carreira. De resto, o elenco deixa muito a desejar. Muito mesmo.
O filme em si se perde em vários momentos. Alguns atos se prolongam demais e em alguns momentos, senti a sensação de que o diretor não sabia onde posicionar a câmera, fazendo com que ela parecesse estar demais no cenário.
A trilha sonora parece uma playlist da mocinha de Malhação. As músicas, em sua maioria internacionais são óbvias e falham em dar uma identidade única ao filme, que fica com cara de recortes de várias outras coisas. Faltou a identidade do filme.
No fim das contas, devemos reconhecer as falhas do filme, mas ao mesmo tempo, temos que aplaudir a atitude e os elementos de uma nova geração de cineastas. Esse é o primeiro de muitos filmes que ainda vão revelar o verdadeiro potencial desse diretor e dessa equipe.

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