A nova franquia de ficção científica teen estréia essa semana. Eu sou o Número Quatro dirigido por D.J. Caruso é mais uma tentativa desesperada de ocupar o espaço que será deixado por Harry Potter no final desse ano. Depois do deplorávelPercy Jackson, qualquer livro escrito que rendam franquias adolescentes estão sendo produzidos. Este é o mais novo exemplar da safra.
Em um planeta distante chamado Lórien, uma raça de alienígenas, os Mogadoriansdizimam e matam toda a população. 9 adolescentes são mandados para sobreviver. Eles possuem os legados de Lórien, poderes especiais que
poucos são capazes de desenvolver. Os 9 se refugiam em partes distantes da
terra, achando que estarão incógnitos e seguros dos Mogadorians. Uma curiosidade, é que cada Lórien tem uma espécie de amuleto que só permite que eles sejam mortos em uma determinada ordem. Por exemplo, você não é capaz de matar o número 3 sem matar o número 1 e o 2 antes. Eis que entendemos o título do filme, Eu sou o Número Quatro. Depois da morte dos três primeiros, o Quatro se refugia em uma pequena cidade, Paradise, Ohio. É onde tudo acontece.
D. J. Caruso é diretor oriundo das séries de TV americanas. Ele dirigiu títulos como Dark Angel, The Shield, Smallville e outras menos glamurosas. No cinema, dirigiu Paranóia, Controle Absoluto e Roubando Vidas. Filmes que não são ruins, mas que não fizeram o sucesso esperado. Ele consegue deixar um filme totalmente vazio visualmente interessante e em alguns momentos divertido. No entanto, as qualidades do filme (que são pouquíssimas) afundam logo diante de tamanhos insultos ao expectador. Fica difícil comentar os erros grosseiros do filme sem entregar spoilers da trama, não que isso importe muito aqui, mas prefiro manter minha postura e deixar que cada um tire as próprias conclusões. Um amigo jornalista que assistiu o filme comigo, adorou. Fico me perguntando se assistimos ao mesmo filme. Enfim...
Nós temos acesso aos detalhes da trama a medida em que as coisas vão acontecendo. Isso é bom, permite que você construa a trama aos poucos na sua cabeça, uma peça por vez. Mas quando as peças são todas iguais e recheadas de clichês do gênero (e outros emprestados) todo o quebra cabeça vai por água abaixo.
No elenco, adultos interpretando adolescentes. Típico dos filmes High School americanos. Alex Pettyfer (Alex Rider Contra o Tempo) interpreta o Número Quatro, também conhecido como John. A gatíssima Dianna Agron (Glee) faz a mocinha.Jake Abel faz o atleta popular antagonista da escola. Jake interpretou Luke em Percy Jackson e o ladrão de Raios, onde se saiu tão mal quanto aqui. Completando o elenco, Thimothy Olyphant interpreta Henri, o guardião e protetor do número quatro, Teresa Palmer interpreta a Número Seis. Ela estava em O Aprendiz de Feiticeiro e está contratada para o próximoMad Max. Callan McAuliffe é o alívio cômico como o nerd da escola. Eu avisei que tinham muitos clichês. Esse elenco me leva a crer que os executivos estão aproveitando o elenco de outros filmes igualmente desastrosos.
O personagem do Número Quatro é o típico personagem sem conteúdo. Deixem-me explicar. É um personagem que tem um Histórico, mas que a partir do início do filme, nada daquilo importa mais, já que todas as decisões que ele tomar serão impensadas, impulsivas e irresponsáveis. No início do filme, somo s levados a crer que Henri e o Número Quatro são veteranos em termos de mudanças. Eles seguem mudando de vida e de identidade sempre que a sua localização é comprometida. Eles fazem isso há muito tempo, e o fato de ainda estarem aí, nos leva a crer que são bons nisso. Mas tudo isso não vale de nada uma vez que eles chegam na nova cidade. De repente, o jovem que está acostumado a se mudar e a se adaptar se transforma em um garoto infantil e teimoso que está disposto a jogar todo o legado de seu povo pro alto por uma garota (Agron) que é mais um clichê ambulante. A garota fotógrafa e sem amigos que é extremamente linda, mas ainda assim permanece isolada dos outros estudantes, imersa em seu hobby de fotografia. Todos os personagens são assim. O trio de bully's da escola, o nerd que apanha todos os dias. O garoto novo que enfrenta o valentão, a confissão do segredo não pra garota que ele gosta, mas para o moleque que acabou de tentar chantageá-lo. São muitos furos pra tentar listar.
Os efeitos visuais são bonitos e o filme é sim, visualmente interessante, mas a falta de informação prévia não deixa que o espectador se identifique com aqueles personagens e a sua missão. Aliás é difícil até entender porque eles fogem e porque os vilões fazem o que fazem. Tudo acontece simplesmente pra mover o tempo do filme até o final dos cansativos 109 minutos de projeção.
Um filme totalmente clichê com personagens rasos ao extremo e situações absurdas, diálogos sem sentido e atuações medíocres. Um filme ruim mesmo.

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