quinta-feira, 28 de julho de 2011

Rio (2011)

Rio. A nova animação dos produtores de A Era do Gelo e do diretor brasileiro Carlos Saldanha estreou essa semana no Brasil trazendo muita controvérsia.

A história da Arara azul Blu que deve procriar pra salvar a própria espécie da extinção o levou até o Rio de Janeiro, em uma aventura pela terra do sol e do samba.

De cara, fica claro o capricho dessa animação da Blue Sky e da Fox com o resultado final. O filme foi muito bem executado e pesquisado. Os cenários do Rio de Janeiro foram recriados com fidelidade e o diretor brasileiro ajudou a dar
um clima de autenticidade no filme. Muito bom. A controvérsia citada acima se trata do fato do filme ser recebido não muito bem pelos brasileiros, que acharam que ele contribui para o estereótipo brasileiro que os gringos tem. Uma terra em constante carnaval, samba, futebol e férias o ano inteiro. O que não deixa de ser verdade. O fato é que a imagem que o resto do mundo têm do Brasil não chega a ser muito longe da realidade, mas recebe uma boa dose de maquiagem. Afinal, quem quer ver em uma animação feita para o grande público, que mostra traficantes armados na favela, brigas nas torcidas de futebol e corrupção da polícia.

Carlos Saldanha faz o que deveria ser feito. Mostra para o mundo que o Rio é um lugar que vale a pena conhecer. Nós brasileiros é que somos ranzinzas e não admitimos que o resto do mundo faça piada com o nosso país que é o extremo oposto de ser um paraíso. O filme em momento nenhum degrada a imagem do Brasil, muito pelo contrário. Mostra para o mundo a essência do brasileiro. A alegria, o carnaval, o futebol, o samba e uma das cidades mais lindas do mundo. Não esqueçam que é uma animação de ficção sem nenhum comprometimento com a realidade, ou vocês acham que um bando de animais pré-históricos conseguiram cuidar de um bebe humano durante a última era glacial?

O filme trás grandes nomes do cinema atual no seu elenco. O personagem principal, a arara Blu recebe a voz e a personalidade de Jesse Eisenberg (A Rede Social), já sua alma gêmea Jewel fica por conta de Anne Hathaway (O Diabo Veste Prada). O elenco de apoio é composto por artistas tanto brasileiros quanto americanos. Jamie Foxx, George Lopez, Will.i.am, Wanda Sykes, Rodrigo Santoro, Bebel Gilberto, Sergio Mendes, Carlinhos Brown e o próprio Saldanha, que empresta sua voz em uma ponta.

O capricho nas paisagens e nos modelos da cidade ficaram impressionantes. O cuidado para representar bem todos os lados do Rio de Janeiro ficou evidente e para quem diz que Saldanha se vendeu aos valores americanos, se não fosse ele, o filme poderia ser realmente irreconhecível, podendo ter aquela cara de vila mexicana ao invés de cidade brasileira. É visível o dedo do diretor brasileiro para representar nuances que só quem mora no Rio é capaz de identificar, como o Jardim Botânico, As ruas de Santa Tereza e a paisagem da Lapa.

A fotografia digital é de Renato Falcão que já está ocupado filmando o quarto capítulo de A Era do Gelo junto com Saldanha. Ele realmente faz planos maravilhosos que vistos sob o 3D ficam ainda mais impressionantes. Os planos grandiosos e o fluxo da câmera quase fluido feito para acompanhar o movimento dos pássaros voando foram combinações acertadíssimas. Isso sem dúvida faz de Rio um filme muito gostoso e redondo de se assistir, visualmente falando.

No roteiro, temos uma história relativamente simples, como boas histórias devem ser. Um estudioso brasileiro encontra no interior de Minnesota a última arara azul da espécie. Um pássaro domesticado e mimado pela sua dona. Ele convence ela a levar Blu para o Rio de Janeiro, onde ele tem a última fêmea da espécie, Jewel. A história flui de forma natural. Blu é forçado a se adaptar a nova realidade e tentar reencontrar sua dona. O texto os leva das praias de copacabana à favela da rocinha. Das casas da Lapa até o tradicional sambódromo. Todos os grandes pontos do Rio estão presentes no filme e muito bem representados.

A versão dublada também diverte. Uma das poucas ocasiões onde a dublagem é bem vinda e bem feita são nas animações. Mesmo na falta do som original, a versão dublada diverte e faz rir com os nossos próprios vícios de linguagem.

Rio é um filme definitivamente bom. Na minha escala de animações, ela fica ao lado de Procurando Nemo, logo abaixo de Toy Story 3 e Up. Fica a dica para quem quer um filme leve que pode ser assistido com todo mundo.

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