quinta-feira, 28 de julho de 2011

Velozes e Furiosos 5 (Fast Five - 2011)

Velozes e Furiosos 5 – Operação Rio. Dirigido por Justin Lin, diretor dos dois últimos velozes retornando de vez com o elenco original formado por Vin Diesel, que depois do primeiro, não quis voltar para o segundo filme da franquia porque na época, acreditava que sua franquia Riddick faria sucesso. Riddick foi por água abaixo e hoje,Velozes e Furiosos é a franquia mais lucrativa da Universal. Ironicamente, Diesel é hoje um dos produtores da série. Completando o elenco, Paul Walker (Que não consegue emplacar fora da série) e a inexpressiva estrela de TV Jordan Brewster.

Surpreendentemente, os atores individualmente péssimos, funcionam muito
bem juntos no elenco. Os personagens mudaram ao longo da série, mas a dinâmica entre eles continua a mesma. A mocinha Mia (Brewster) agora é parte ativa da ação. Aprendeu a pilotar. Brian (Paul Walker) não é mais agente do FBI, ao invés disso, se assumiu de vez como parte da gangue que o filme insiste em chamar de família. Dom Toretto (Diesel) passou de ladrão profissional a um cara “honrado” e cheio de escrúpulos que me parece um tanto forçado, mas tudo bem. O filme é divertido e tem o Rio de Janeiro como cenário ativo ao invés de ser apenas uma paisagem bonita.

O filme já começa com Brian e Mia tentando libertar Toretto do ônibus que o levava para a prisão, onde serviria um mínimo de 25 anos. Depois da fuga, eles se reencontram no Rio de Janeiro para um último trabalho... de novo. No Rio, eles devem montar um time de personagens dos filmes anteriores para dar um golpe em um chefão local chamado Hernan Reis (O ator português Joaquim de Almeida), que é retratado como uma espécie de deputado corrupto, muito parecido com o personagem Guaracy de Adriano Garib em Tropa 2. Aliás, o filme de Lin é MUITO parecido com Tropa 2. Tanto na estética fotográfica quanto no estilo de narrativa. Vi claramente a influência de Padilha e Tropa presentes em velozes 5 e isso é um ótimo sinal. O fotógrafo é Stephen F. Window, que fotografou o terceiro Velozes (Desafio em Toquio).

A série Velozes e Furiosos está passando por uma mudança de fórmulas. De rachas e pegas de rua, a série quer se consolidar como filmes de assalto com grandes perseguições. A fórmula cabe como uma luva, pena que a forma como essa mudança é contada seja tão brusca e ineficaz.

O roteiro é talvez a maçã podre desse cesto e que por tabela acaba estragando todas as outras. O texto é tão ruim e mal construído que nem a direção ativa de Lin consegue esconder os furos enormes. O roteirista aqui é Chris Morgan, que escreveu entre outros trabalhos, Velozes 3, 4 e O Procurado. O texto faz com que os personagens, que deveriam ser uma equipe top de ladrões profissionais pareçam um bando de amadores tentando tirar a sorte grande. Os personagens não têm função real na história e foram trazidos de volta simplesmente pra reunir todo o elenco de filmes anteriores, que conta comLudacris (velozes 1) Tyrese Gibson (Velozes 2), Sung Kang (Velozes 3) e Gisele Harabo (Velozes 4), apesar de no filme dizer os motivos das contratações de cada um, ao longo do filme nada disso é mostrado ou sequer explorado. As qualidades que os personagens deveriam ter para justificar sua presença na história são inexistentes ao longo da trama.

Uma vez no Rio, o grupo vai investir em um roubo de 100 milhões de dolares. O alvo é um político corrupto que mantém toda a sua verba ilegal em um cofre ao invés de numa conta na suiça. Ainda por cima, no encalço dos protagonistas, está o agente federal Hobbs, interpretado por Dwayne Johnson, The Rock (que está gigantesco, por sinal).

A partir do momento em que o grupo começa a planejar o grande assalto, é quando o filme se desanda. Os métodos são simplórios e chegam a ser caricatos. Os personagens passam a primeira metade treinando uma tática para que pudessem invadir a delegacia de polícia, onde estava localizado o cofre sem serem pegos pelas câmeras, até que de uma hora pra outra, desistem dessa tática para tentar roubar viaturas de polícia para passar desapercebidos. Depois de mais tempo de tela planejando essa segunda tática, tudo vai pelos ares quando a estratégia final é simplesmente invadir, quebrar tudo e levar o cofre em si. Literalmente. Isso vindo de personagens que deveriam ser profissionais naquilo que se propõe a fazer.

O roteiro continua confuso quando coloca e retira o personagem Vince (Matt Schulze) da história sempre que é preciso dar uma enrolada e distrair a atenção da trama principal, que já é absurda. Vince, assim como os outros, não tem função a não ser confundir o expectador, já que hora somos levados a acreditar que ele é um traidor, e hora ele é mostrado como parte da família.

A dinâmica entre Toretto e Hobbs não funciona em momento nenhum. The Rock ficou gigantestco para poder fazer um personagem capaz de sair no braço pau a pau com o Vin Diesel. Aliás, Diesel é quem ficou pequeno aqui. Em um acena confusa, Toretto salva a vida de Hobbs, mesmo depois de quase tê-lo matado ele mesmo. Confuso e sem explicação. Assim como toda a sequência final do filme.

Apesar de todos os furos de roteiro, as cenas de perseguição são ótimas, e esse é sem dúvida o ponto forte da série. O filme explora os cenários do Rio de Janeiro, mas faltou um brasileiro supervisionando a produção, já que o Rio tem muitos lugares que seriam palcos ideais para perseguições fenomenais.

Velozes cinco é um filme com a cara dos anos 90. Essa tendência tem se mostrado lucrativa, vide Os Mercenários que com uma fórmula tirada de sessões do Cinema em Casa, já vai para sua sequência. Depois dos créditos tem uma cena bônus que já faz a ponte de ligação com o próximo filme, corrigindo alguns erros passados. Um filme para quem quer se divertir. Se essa é a sua intenção, vai fundo, porque Velozes 5 pode não ser uma obra de arte, mas é diversão garantida.

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