Dirigido por Sam Taylor-Wood que estréia na direção de longas com essa encantadora história sobre um garoto que sonhava em ter uma banda de rock. Um garoto chamado John Lennon.
John é interpretado por Aaron Johnson (Kick Ass – Quebrando Tudo), Se com seus olhos azuis, ele é diferente da imagem do verdadeiro beatle, sua interpretação é a mais próxima possível, vivendo a fase de adolescente bad boy de John Lennon ainda em Liverpool.
O filme foca na fase adolescente de John Lennon. Não espere um filme sobre
os Beatles. Embora a maior parte dos elementos estejam ali, na tela, o grupo fenômeno mundial não é sequer citado na película, deixando bem claro que John Lennon era muito mais do que simplesmente um dos Beatles. O destaque aqui é para o relacionamento com sua tia Mimi (Kristin Scott Thomas, fanulosa), que o criou e com sua mãe ausente Julia (Anne-Marie Duff), além do seu inicio na música, com seu companheiro e amigo Paul (Thomas Brodie-Sangster de Nanny McPhee e Simplesmente Amor).
A diretora estreante cria um filme encantador. O clima de rebeldia e do início do Rock 'n Roll nos anos 60, na inglaterra, que apenas via pela televisão um garoto chamado Elvis ficar famoso e roubar todos os olhares com sua música, despertando o interesse do jovem John. Além de ser um filme bem decupado e bem executado, a fotografia é aconchegante e envolvente, e o departamento de arte está simplesmente de parabéns. Kimberly Fahey, que trabalhava como Production Buyer em O Ultimo Rei da Escócia e Nanny McPhee, assina a direção de arte pela primeira vez. A equipe estreante se entrosa bem e os departamentos se completam sem chamar atenção isoladamente.
Fica claro que Sam Taylor-Wood não queria um retrato fisicamente fiel aos verdadeiros personagens, deixando o departamento de casting a vontade para selecionar candidatos que pouco tinham a ver fisicamente com os reais beatles. A tática funcionou, já que você é imediatamente transportado para a Liverpool dos anos 60 e por um momento esquece que aqueles personagens são reais e mais famosos que Jesus Cristo. A imagem do John Bad Boy distoa do John pacifista do final de carreira. Quem é fã dos beatles e leu o livro Anthology vai se deliciar com as referências. Mesmo quem não gosta, vai se emocionar com essa história despretensiosa, sobre um garoto com altas pretensões.
Os personagens foram desmistificados, saindo do preto e branco e caindo em uma escala de cinza. A tia Mimi, que é odiada por todos os fãs de John, é retratada como uma pessoa rígida, mas que nunca deixou de amar o sobrinho, enquanto sua mãe, que abandonou o filho ainda pequeno, também tem seu lado bom, servindo como amiga e companheira de John durante parte do filme. O próprio John Lennon, uma figura mundialmente querida e amada tem uma escuridão interior que era constante em sua vida, hora garoto, hora canalha, assim como o personagem principal de A Rede Social, John Lennon aqui assume o manto do anti-herói. O bom e velho filho da puta simpático, papel esse que Aaron Johnson interpreta muito bem. Famosos por causar badernas por onde passava, provocar brigas e deflorar as meninas locais, John Lennon fazia jus ao estilo bad boy, de gel no cabelo, topete e jaqueta de couro.
Finalmente, um filme que mostra John Lennon como uma pessoa normal, ao invés de uma celebridade. Um garoto cheio de falhas e problemas, que tem uma visão um tanto deturpada do mundo, mas que nasceu para ser grande. Como sua mãe Julia lhe diz quando ele pergunta porque Deus não o deixou nascer Elvis Presley, “Porque ele estava guardando você para ser John Lennon”.
A trilha sonora é fantástica, passando pelos vários momentos da música dos anos 60. Cada música se encaixa no filme como uma luva, e em diversos momentos me peguei batucando nas batidas de Elvis ou batendo o pé.
Um ótimo filme, sobre uma grande vida e o inicio de sua trajetória. Sem fama e sem glamour, mas nunca abrindo mão do Rock 'n Roll.

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