quinta-feira, 28 de julho de 2011

O Besouro Verde (The Green Hornet - 2011)

O Besouro Verde. Escrito por Seth Rogen E Evan Goldberg, os responsáveis porSuperbad e dirigido por Michel Gondry, de Rebobine Por Favor e Brilho Eterno de uma mente sem Lembranças. Baseado no personagem criado originalmente para o rádio por George W. Trendle e Fran Striker. O personagem ficou conhecido durante os anos 60 quando Bruce Lee interpretou o seu parceiro Kato.

Britt Reid (Seth Rogen) é um playboy milionário irresponsável e infantil. Depois da morte do pai, um magnata dono de um grande jornal, Reid assume os negócios. Isso não inclui seu passatempo noturno, quando ele veste a máscara do
Besouro Verde e sai para proteger a cidade como um vigilante mascarado, sempre acompanhado do seu parceiro e chofer Kato (Jay Chou).

Não é necessário dizer que o personagem bebe na fonte de Batman, mas com uma abordagem mais noir e menos caricata, em contraponto ao Batman dos anos 60.

Aqui nesse filme, o diretor Michel Gondry consegue não só desperdiçar o que poderia ser um grande filme e uma grande franquia para a Columbia, mas consegue manchar sua reputação no meio do público cult/nerd, que idolatrava seus filmes. O filme não é só ruim, é a prova que até uma boa ideia pode falhar miseravelmente.

Eu acho que Gondry sempre foi superestimado como diretor. Seus filmes anteriores eram pra lá de alternativos e chamavam atenção pela fotografia. Sempre com um estilo único, Gondry criou atmosferas bem distintas para os filmes, mas mesmo assim únicas. Isso não acontece aqui. O besouro Verde é um vômito de situações e cenas sem propósito que em alguns momentos, insulta a inteligência do espectador. Até o ganhador do Oscar do ano passado Chistoph Waltz fez feio ao interpretar o vilão caricato Chudnofsky, que apesar de ser péssimo, é o personagem mais interessante do filme.

Gondry não conseguiu se decidir pelo tom que iria empregar no filme, horas apostando no clima de luzes coloridas e sombras, em uma especie de comic-noir e em outras tenta se levar a sério, achando que é um Dark Knight. Imaginem um misto de Batman & Robin e Batman Begins. As lutas foram mal coreografadas e o efeito de câmera lenta que ele emprega nas cenas de ação não inova em nada o que já foi feito antes. As sequencias de luta de Sherlock Holmes ou até mesmo os borrões dos Transformers fazem mais bonito. A impressão que tive ao final do filme foi que Gondry fez um apanhado de técnicas e características de vários diretores e misturou em uma sopa de letrinhas. Explosões a lá Michael Bay, cenas de lutas confusas e desconexas de Christopher Nolan, uma atmosfera de comédia de ação de Joel Schumacher, e assim vai. Nada funciona, tudo é muito ruim e o filme falha em absolutamente tudo que se propõe. Não funciona como filme de super-herói, como ação, como comédia, romance, thriller, etc.

O roteiro escrito por Rogen e Goldberg mostra que os dois devem se ater ao que sabem fazer melhor: escrever diálogos. Me surpreende como escritores tão afiados na hora de escrever, conseguiram criar personagens tão rasos e desinteressantes. A melhor atuação é a ponta de James Franco no começo do filme. A partir daí é tudo ladeira abaixo.

O relacionamento de Britt reid e Kato aqui, é o de dois amigos que no meio de uma bebedeira resolveram se fantasiar de super-herói. Cameron Diaz é completamente descartável para o filme, sendo escalada somente pelo seu nome, e pela sua cena de shortinho no final, (mais uma característica roubada de Michael Bay, a mocinha semi-nua)

Em momento nenhum você sente urgência ou qualquer outro sentimento que mova aqueles personagens. Até mesmo o vilão, chefão supremo de todo o crime de Los Angeles, se rende ao charlatanismo e resolve se fantasiar.

Acredito que depois desse filme, a Columbia deverá enterrar bem fundo a franquia até que alguém tenha coragem de resgatar a honra do besouro Verde, que a tempos atrás foi um personagem interessante e adulto, mas aqui, fracassou horrivelmente.

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