sexta-feira, 21 de outubro de 2011

Gigantes de aço (Real Steel - E.U.A. 2011)


          Gigantes de aço é um filme de boxe por excelência, todos os elementos estão lá presentes. Alias é possível fazer várias comparações entre esta obra e o último capítulo da carreira do boxeador mais famoso da sétima arte (Leia-se Rocky Balboa). O uso do esporte como solução para um drama familiar, e ou pessoal, é uma cartilha que quando bem usada sempre dá certo. Se bem editado e com a trilha certa chega a emocionar. É engraçado constatar, mas ouvi comentários de pessoas que não queriam chorar após a sessão por se tratar de um filme de robôs, mas esse não é um filme sobre robôs (apesar deles estarem bem presentes), esses não são os Transformers. A diferença é que na trilogia do Michael Bay eles são a razão do filme existir, aqui eles servem apenas de instrumento para unir pai e filho e para driblar a violência natural do esporte. Um  filme de boxe para toda a família. 


          Charlie Kenton (Hugh Jackman) é um ex-boxeador e pai ausente que vive endividado e trabalha fazendo exibições com robôs que lutam boxe (o esporte com humanos foi extinto, dando lugar a versão com máquinas). Após perder seu último robô ele volta para casa quebrado e descobre que a mãe de seu filho está morta. Brigando com a ex-cunhada pela guarda da criança, ele vê ali uma oportunidade de conseguir um dinheiro e fecha um acordo com o rico marido dela, ele precisa passar o verão com o menino, depois a guarda será toda da cunhada. Com o dinheiro do acordo ele compra um novo robô, e agora junto a seu filho eles vão percorrer o circuito das lutas clandestinas de boxe, tentando ganhar algum dinheiro e sobreviver a ''turnê". 

          A explicação para o boxe tradicional ter sido mudada para a luta entra robôs é muito ruim, usar a necessidade do ser humano por mais violência para substituir-nos  é incoerente. Fora esse pequeno detalhe, o roteiro escrito pela dupla John Gatins (Norbit, Sonhadora) e Leslie Bohen (Daylight, O inferno de Dante) é bem amarrado, e consegue desenvolver a trama de forma gradativa e eficiente. A abertura do filme é eficiente em apresentar Charlie, suas características e  toda a situação, já criando um gancho com eventos futuros, por mais que pareça nada é gratuito. O relacionamento de Charlie com Baily (Evangeline Lilly) é todo focado na nostalgia do sentimento, que é diretamente ligada a nostalgia de Charlie em relação ao boxe. Ao não utilizar flashbacks seus realizadores  permitem que a estória flua com mais naturalidade. A entrada de Max (Dakota Goyo) segue o mesmo padrão, toda a situação é explica por diálogos e pequenas ações, e o fascínio do menino por robôs também é natural, afinal se trata de um adolescente. O relacionamento entre pai e filho é o fio condutor da estória, a aceitação de Max com a ausência do pai ocorre de forma um pouco abrupta (Charlie acabará de vender a guarda do filho, e o menino sabe disso), ainda mais se tratando de um menino tão inteligente e genioso, mas o universo em que vive o pai parece atrair o menino que acaba se apaixonando não só pela figura paterna, mas pelo o quê o pai poderia ser e todo o seu estranho estilo de vida.

          Todo o universo das lutas de robôs imita o universo do boxe real (com alguns exageros é claro), situado em um futuro próximo que se assemelha muito ao mundo atual, os robôs não tem feição ou expressão, dando a eles o único intuito de máquinas de luta. Mesmo assim o roteiro é eficiente ao criar uma ligação entre Max e o robô por meio dos movimentos, e dá respaldo a trama ao criar explicações  razoáveis para o sucesso de um robô considerado tão ultrapassado pelos envolvidos nas lutas. O roteiro exagera ao tentar criar os vilões. Os personagens Farra Lemkova (Olga Fonda) e Tak Mashido (Karl Yune) são estereotipados e exagerados, principalmente Mashido. 

          Dirigido por Shawn Levy (A pantera cor de rosa, Uma noite no museu) uma escolha inusitada, afinal toda a carreira de Levy é formada por comédias (todas elas ruins diga-se de passagem). Mas sua escolha se mostra acertada se pensada em construir um filme para a família, e Levy tem aqui o seu melhor trabalho, ajudado pelo bom roteiro e  por seus produtores Steven Spielberg e Robert Zemeckis (dois nomes que engrandecem qualquer projeto) Com uma montagem dinâmica, as lutas são empolgantes e bem coreografias, contado com muito rock n'roll em sua trilha sonora, Levy e sua equipe conseguem criar um filme empolgante e divertido, fazendo deste uma das boas surpresas deste ano (confesso, não levava muita fé no projeto). 

          Mas o grande trunfo do projeto está em seu trio de protagonistas e a excelente interação entre eles. Hugh Jackman (X-men, O grande truque) está excelente (como sempre), ele é muito carismático e esse carisma conquista personagens dentro do próprio filme. A jornada de transformação e superação é do seu personagem, apesar de não subir ao ringue, é ele quem comanda a luta e o projeto. A química entre ele e o pequeno Dakota Goyo (Thor) é comovente. Goyo que aliás é o destaque mirim deste ano (apesar de ser muito parecido com o pequeno Jake Lloyd do primeiro episódio do Star Wars, e com o insuportável Justin biber). O menino interpreta Max com muita personalidade, dividindo de igual para igual suas cenas com Jackman. Até mesmo nas cenas mais tensas, ele convence e seu personagem é o motivo pelo qual o protagonista passa por toda sua jornada. A química entre Goyo e Jackman  impressiona e é a força motora do projeto. Fechando o trio principal a belíssima Evangeline Lilly (Lost, Guerra ao terror) interpreta Bailey, a sócia e par romântico do protagonista Charlie. Bailey é o elo que une pai e filho, tendo papel importante na trama, mesmo com pouco tempo de tela. A beleza e a doçura de Evangeline dão a Bailey características de uma mãe, exatamente o que o roteiro quer e seus personagens precisam. 

          Gigantes de aço é um filme que tem elementos de diferentes gêneros e consegue agradar a diferentes públicos. Do ponto de vista financeiro esta talvez seja sua maior qualidade, mas do ponto de vista cinematográfico sua maior qualidade é a de nunca perder sua essência. Ele não é um filme sobre robôs, é um filme  de boxe.  

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