Will Rodman (James Franco) é um jovem cientista que trabalha em uma grande corporação e trabalha a anos em um projeto para a cura do mal de Alzheimer. Usando macacos como cobaias, Will descobre que a nova droga não só cura os animais, como aumenta a inteligência dos mesmos de forma espantosa. Após um incidente no laboratório, o projeto é cancelado e todos os macacos sacrificados. Will salva o filho de um deles e após constar a inteligência do animal resolve criá-lo. Com o passar do tempo, o macaco César (Andy Serkis) cria uma inteligência ainda maior, mas após um incidente, o macaco é tirado da posse de Will e é levado para um terrível viveiro de macacos, onde é torturado junto a outros de sua espécie. Lá o inteligente símio perde sua doçura e convivendo com os seus começa uma revolução.
O protagonista deste filme é um macaco, isso mesmo, César, brilhantemente interpretado pelo gênio na arte de captação de movimentos Andy Serkis (O senhor dos anéis - O retorno do Rei, King Kong) é o motor da estória. O filme narra desde a morte de sua mãe até a libertação do seu ''povo''. O roteiro é muito bem amarrado, traz muitas (e boas) referências aos originais, respeitando o passado da franquia. A construção do personagem César é excelente, todo o desenvolvimento é feito de forma orgânica, as passagens de tempo são bem construídas e inseridas nos momentos certos e tanto a natureza do relacionamento dele com o dono Will e sua revolta com o mesmo e os homens em geral, são mostrados de forma brilhante, criando um personagem extremamente emotivo e de expressões surpreendentemente transparentes. As motivações por trás dos atos de César, e até mesmo de Will são bem interessantes, justificando as atitudes tomadas por ambos durante a projeção. Mas o roteiro também contem algumas falhas, os personagens secundários são totalmente esquecíveis, todos são mal construídos, com exceção do pai de Will, o músico Charles Rodman (John Lithgow). Até mesmo a relação de Will com a veterinária Caroline (Freida Pinto) é artificial, em nenhum momento eles parecem um casal de verdade. Aliás, o macaco César consegue ser mais expressivo que praticamente todo o elenco (salvo Franco e Lithgow).
Dirigido pelo inglês Rupert Wyatt (O escapista), que aqui é bem sucedido, principalmente na criação das elipses e das empolgantes cenas de ação. ( Apesar da artificial e desnecessária névoa criada na batalha da ponte).
Mas o grande destaque fica por conta da mágica realizada pela Weta Digital, empresa de Peter Jackson. Os macacos do filme são extremamente convincentes, é bem verdade que em alguns momentos é notório o uso do efeito, o que é grave, pois tira o espectador de dentro do universo do filme, mas eles são muito poucos se comparados com toda a projeção. As expressões do símio César são espantosas, ele diz muito sem diálogos, suas expressões são comoventes e passam com tremenda clareza tudo o que se passa na cabeça do personagem.
Mas toda essa tecnologia só ganha vida, graças a excelente atuação do genial Andy Serkis, que nos brinda mais uma vez com uma performance formidável, digna de prêmios. Extremamente expressivo, ele reproduz com assombrosa naturalidade os movimentos do símio, criando um protagonista fascinante. James Franco (127 horas, Milk) sempre carismático, interpreta com seriedade e serenidade um personagem com grandes conflitos e boas motivações, fazendo de Will o tipo de personagem que ele deve seguir em sua carreira que tem tudo para ser brilhante. Já John Lithgow (Shrek, Dreamgirls), mesmo com pouco tempo de tela, consegue dar força ao seu personagem Charles. A interação dele com Franco e com César são bem interessantes, e suas transformações devido a doença também impressionam. A bela Freida Pinto (Quem quer ser um milionário ?, Você vai conhecer o homem do seus sonhos) interpreta o desnecessário interesse romântico de Will, inexpressiva em todas as suas aparições e sem química alguma com Franco ela sobra na tela. Fechando o elenco o veterano Brian Cox (X-men 2, A supremacia Bourne) interpreta o dono do viveiro de macacos. Com pouco tempo de tela e prejudicado pelo roteiro, ele nada pode fazer e também acaba sobrando.
Planeta dos macacos - A origem é um bem vindo reinicio da franquia, o filme deixa várias pontas para continuações, ao mesmo tempo que faz ligações com o original. Se depender da boa bilheteria, em breve estaremos revendo o revolucionário César na tela grande, só torçamos para que ele volte junto há humanos mais interessantes, e o fato, de pela estória eles estarem em cada vez menor número, seria uma tremenda e bem vinda ironia.
Vale ressaltar que nenhum macaco de verdade foi usado nesse filme. Impressionante.
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