Produzido pela O2 FIlmes de Fernando Meirelles e estrelado por Wagner Moura. Foi assim, com direito a maior produtora do país e estrelando o maior astro do cinema nacional que a história de Marcelo Nascimento chegou as telas. Marcelo quem?
Ele se passou pelo dono da Gol e deu entrevista no Amaury Jr em rede nacional em um dos golpes mais espetaculares que o país já viu. Sua história rendeu ainda um livro "VIPS - Histórias Reais de um Mentiroso" e um documentário com o mesmo nome. Seu caso foi comparado ao de Frank Abagnale, personagem de Leonardo DiCaprio em "Prenda-me se for Capaz".
O filme é uma adaptação no sentido literal da palavra. Muita coisa do livro foi mudada e não fica muito claro o porquê. O diretor Toniko Melo só tinha dirigido um especial da Globo chamado Som e Fúria e assumiu a direção de um filme que tinha tudo pra dar certo, mas que se rende a velhas fórmulas de diretores preguiçosos.
O que mais me incomodou foi que o personagem real, o Marcelo é uma figura interessantíssima por si só. O filme tenta desesperadamente e muito grosseiramente justificar a todo custo todas as contravenções do personagem, ignorando que o fato de não haver explicações é o que torna o Marcelo tão fascinante. O filme cai na mesmice do "ser politicamente correto" achando ingenuamente que o público brasileiro não vai se identificar com um "vilão". Vilão no sentido "moral" da palavra, porque pra nossa realidade ele é um herói. Pra completar, Toniko Melo dirige o filme de forma previsível e apática, quase como que de má vontade, tornando uma fonte fascinante em um produto medíocre.
Até Wagner Moura está apagado. É preciso muito pra apagar a atuação de Wagner e transformá-lo em um qualquer. Aliás, a produção de elenco também é péssima. Com exceção da mãe de Marcelo, interpretada por Gisele Fróes que consegue ser um personagem interessante quando está em tela. O resto do elenco foi pessimamente escolhido e até o meu canastrão favorito, Milhem Cortez está apagado.
A direção de arte peca por colocar logo nos primeiros minutos de filme, Wagner Moura com uma peruca ridícula tentando se passar por adolescente. É um momento "vergonha alheia" de um dos nossos maiores atores. Surpreendentemente eles conseguem acertar na caracterização do Marcelo em sua fase Carrera. Por um instante vi o verdadeiro Marcelo na tela.
É triste saber que uma história tão boa (O livro é uma leitura bastante agradável) conseguiu se tornar em um filme tão mediano, ainda mais pelas mãos de Braulio Mantovani (Cidade de Deus, Tropa de Elite). Ao invés de explorar o personagem principal fazendo a história andar pra frente, o roteiro deixa de lado várias características que definem o real Marcelo apenas para encaixá-lo melhor em um estereótipo.
Um filme que não é inteiramente ruim. Como eu disse, A história de Marcelo Nascimento merecia ser contada. Mas levando em conta quem contou, eles poderiam ter feito um trabalho bem melhor.

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