quinta-feira, 28 de julho de 2011

Lanterna Verde (Green Lantern - 2011)

Um dos heróis mais legais dos quadrinhos da DC. Lembro que quando era criança, íamos brincar de Superamigos e enquanto todos brigavam para ser Superman e Batman, eu sempre quis ser o Lanterna Verde. Sempre achei que ele podia emular virtualmente qualquer superpoder de qualquer super-herói. Um cara abastecido literalmente de força de vontade. O poder de materializar os pensamentos e tornar real tudo o que sua mente vê. Um personagem que abre um leque infinito de possibilidades para se explorar em um filme de duas horas. Um prato cheio pra qualquer diretor que tenha o mínimo de ambição e conhecimento de quadrinhos.

A DC/Warner tem a grande responsabilidade de fazer um filme que pode definir todo o futuro do studio. Enquanto sua rival, a Marvel está se tornando um studio cada vez maior e mais poderoso, a Warner tenta correr atrás de 20 anos de desrespeito aos seus próprios personagens e ao público pagante.

Digo definir o futuro porque convenhamos. Entre o primeiro Superman de Richard Donner e Cavaleiro das Trevas de Christopher Nolan a Warner produziu várias merdas das quais eu tenho vergonha até de me lembrar. Depois do fracasso do seu maior personagem em Superman Returns de Bryan Singer, a Warner finalmente resolveu experimentar a receita que está dando tão certo para a Marvel. Adaptar para o cinema um personagem secundário e tratá-lo com respeito e seriedade assim como Jon Favreau fez com Homem de Ferro. Aliás, a ordem da Warner foi clara quando contrataram o cineastaMartin Campbell (007 – Cassino Royale). “Faça um filme no estilo Homem de Ferro.”

A Warner da uma guinada e abre um outro caminho que pode dar muito certo para a editora/studio. Lanterna Verderepresenta tudo isso. Uma tentativa desesperada de fazer um filme BOM.

Martin Campbell assumiu o comando da adaptação. Apesar de ser um “Diretor de 007”, Cassino Royale marcou justamente a guinada na franquia do espião inglês. Ele reimaginou todo um universo e foi extremamente feliz, trazendo o chato e blasé James Bond Clássico para o mundo moderno, onde os homens precisam ser homens de vez em quando. Alguém acha que o Bond de Pierce Brosnan aguentaria a tortura que o Bond de Daniel Craig recebeu em Cassino Royale?

Mas chega do Bond, Vamos voltar ao Lanterna Verde. Foi com esse espírito que a Warner deu o comando para Campbell. Fazer o que ele já tinha feito antes.

Então: Um filme estilo Homem de Ferro e com o mesmo espírito de Cassino Royale. Se essas foram as ordens, então Martin Campbell merece nota 10, por que foi exatamente o que ele fez com o Lanterna.

O filme conta a história de como Hal Jordan (Ryan Reynolds, que curiosamente também interpreta um herói da Marvel, oDeadpool que apareceu em X-Men Origins: Wolverine e vai ganhar seu filme solo.) e como ele foi o primeiro humano a se tornar parte da Tropa dos Lanternas Verdes. Uma Tropa de Elite intergaláctica responsável por manter a paz e a ordem no universo. O “Capitão Nascimento” dessa tropa é Sinestro (Mark Strong, de Kick-Ass e Sherlock Holmes. Impecável).

Vamos aos fatos. Lanterna Verde é definitivamente um filme bom. Divertido, cheio de ação, batalhas espaciais, alienígenas, vilões poderosos e Blake Lively (de Gossip Girl). Ele caí em alguns clichês monstruosos, como a sequência de vôo que mostra as habilidades de Hal Jordan como piloto que foi inteiramente chupada de Top Gun, com direito a conversas olho no olho com os caças emparelhados, flashbacks bizarros no momento de tensão e tudo mais. É impressionante como em todos esses anos, ninguém desenvolveu um jeito diferente de filmar batalhas aéreas.

Que Ryan Reynolds é extremamente carismático isso todo mundo já sabia. Não foi surpresa que ele encarou o papel de Lanterna Verde tão confortavelmente, mas novamente, ele se entrega a alguns clichês básicos, como o cara que apesar de ser bonito, bem sucedido, ter o corpo perfeito e pegar uma mulher muito gata é inseguro, sensível e impopular quando na verdade Hal Jordan tinha tudo pra ser uma espécie de Sr. Incrível. Algumas situações acontecem convenientemente no momento certo e isso começa a incomodar um pouco depois da terceira vez.

Visualmente o filme é um espetáculo. Todo o segmento espacial e o planeta Oa, o quartel general dos Lanternas Verdes são impressionantes. Se você achou a Asgard de Thor impressionante, espere até você conhecer Oa.

A maior inovação do filme é sem dúvida o traje virtual dos Lanternas. O uniforme usado por Ryan Reynolds no filme não existe fisicamente e foi inteiramente gerado por comutação gráfica. O que a princípio causou estranheza em alguns fãs, no filme parece natural e cabe perfeitamente no universo criado por Campbell. Confesso que a máscara ainda me parece um tanto estranha, maseu sinto uma curiosidade absurda de tentar imaginar como seria a textura desse traje. Toda a sequência de treinamento de Hal Jordan é fantástica e mostra como o traje e o anel funcionam.

Além de toda a saga espacial dos Lanternas Verdes, temos um clássico filme de Super-Herói com algumas “homenagens”como o momento “Capitão América” de Sinestro durante o treinamento de Hal Jordan ou quando a mocinha reconhece o Lanterna apesar da máscara. “Eu te conheço minha vida inteira. Eu já vi você pelado. Você acha que eu não reconheceria você por causa de uma máscara?” Muito mais observadora que Lois Lane. Não é necessário falar que Reynolds ficou com um visual muito clássico de super-herói. Esse mérito do filme é inteiramente do diretor, que conseguiu unir um visual clássico com algo inteiramente novo e moderno.

Não da pra falar muita coisa sem entregar a trama do filme, que é cuidadosamente planejada para não deixar nenhuma ponta solta. Aliás, o filme deixa sim, uma ponta solta, mas que é amarrada imediatamente na cena pós créditos. Portanto fique até o final e veja a DC usar mais um recurso da Marvel. Cena Pós Créditos fazendo a ligação com o segundo filme.

Lanterna Verde é um filme cheio de clichês, mas extremamente divertido a ponto de fazer você querer ver várias e várias vezes. Mal posso esperar pelo Superman de Zack Snyder. Lanterna cumpriu o que propôs e abriu uma nova era de filmes da DC/Warner. Vamos torcer pra essa era durar muito. Lanterna Verde estréia no Brasil no dia 19 de agosto. Eu sei...

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