domingo, 16 de outubro de 2011

A hora do espanto ( Fright night - E.U.A. 2011)

          O maior mérito deste remake de A hora do espanto, é o de conseguir recriar elementos e o clima que fizeram do cinema pop americano oitentista um tremendo sucesso. Escapismo puro, essa era a proposta do original e também é do remake. Não é preciso levar nada a sério, apenas relaxe e se divirta. Se você conseguir acatar essa proposta, você talvez até consiga se divertir. Em tempos em que vampiros perderam sua essência e se tornaram galãs adolescentes, o vampiro interpretado pelo irregular Collin Farrell consegue ser violento e extremamente divertido, e se você não conseguir se divertir diante a tanta bobagem, acredite Farrell se divertiu muito, esse sentimento está explícito em cada cena.


            O jovem Charles Brewster está mudando sua vida, de nerd ele passou para o lado dos playboys da escola e conquistou a menina pelo qual sempre foi apaixonado. Mas com a chegada de um novo vizinho vários adolescentes passam a sumir da escola e alertado por um amigo nerd, ele descobre que o responsável pelos sumiços é o seu novo vizinho, um vampiro que anda rondando sua casa e flertando com sua mãe. Agora ele precisa lutar contra a descrença alheia e proteger sua casa e família deste macabro vizinho.

                  O filme é muito bem sucedido ao misturar terror com cenas engraçadas, sem nunca deixar de ser violento, as caricaturas criadas pela projeção conseguem arrancar alguns risos do expectador. O filme começa como mais um terror adolescente, ao misturar as insuportáveis situações das escolas americanas entre os nerds e os playboys, com a diferença que aqui acompanhamos um nerd que mudou de lado e está se dando bem. Usar uma pequena cidade no meio do deserto em que as pessoas em sua maioria trabalham de noite é uma ferramenta excelente para expor a condição do vampiro dentro de uma sociedade, ponto para o roteiro que de forma inteligente insere os hábitos do vampiro de forma natural e convincente. Essa primeira parte é a mais interessante, usando a geografia local e o fato do perigo morar ao lado como atenuante, o filme ganha em tensão e as limitações dos protagonistas ( Charley não pode contar a ninguém da real natureza do vizinho e Jerry não pode adentrar a casa de Charley sem ser convidado por um dos moradores) dão o toque desse confronto. A seqüência em que Charley invade a casa de Jerry para salvar uma amiga é excelente, tensa e com requintes de crueldade (a cena da reação da menina ao ser mordida  e o final dele a espreita observando a fuga dos dois são particularmente  excelentes). Daí pra frente é ladeira abaixo, sem mais nem menos o roteiro deixa de mão essa tensão e resolve expor tudo e o filme se torna uma série de clichês em seqüência que é de dar dó. Jerry simplesmente explode a casa dos vizinhos e se expõe gratuitamente, daí pra frente o filme vira um filme de perseguição sem muito sentido ou qualidade. Após uma boa cena na estrada, cena está também com efeitos especiais terríveis, tudo vira correria, eles correm para sobreviver, visitam um charlatão que se torna o mentor deles, a mocinha fica em perigo e lógico os caçados resolvem virar a mesa  e vão até o covil do vampiro para matá-lo (é tão previsível que no meio do filme é possível saber tudo).

          A escolha do diretor Craig Gillespie (A garota ideal, Em pé de guerra) é curiosa, oriundo de comédias ele se sai admiravelmente bem nas cenas de suspense. Abusando da escuridão nas perseguições dentro da cidade da primeira parte do filme (em alguns momentos chega ser difícil definir algumas coisas), Gillespie cria alguns quadros bem interessante (como o já citado da menina sendo mordida dentro do covil de Jerry), aliás nesta seqüência ele utiliza quase que em toda ela de câmera com Dolly, dando uma fluidez interessante a cena.

                  O grande destaque desta produção fica por conta de Colin Farrell (Minority report, Alexandre) extremamente a vontade, ele se diverte muito como o vampiro Jerry, mesclando a dose certa de carisma, com humor e sendo ameaçador quando necessário, Farrell rouba a cena e faz deste um dos seus melhores trabalhos. Como o protagonista Charley, Anton Yelchin (Star Trek, O exterminador do futuro: A salvação) demonstra grande carisma, neste que é o seu maior papel até aqui. Conseguindo parecer nerd e um dos babacas da escola ao mesmo tempo ele se mostra versátil, consegue fazer rir e também se sai bem nas cenas de ação, provavelmente será um dos queridinhos de Hollywood em breve. Imogen Poots (Extermínio 2, Eu e Orson Welles) interpreta a mocinha Amy, ela que é um surpresa ao não se mostrar uma mocinha inoperante que precisa ser salva a todo momento. Muito bonita, ela se sai bem nas cenas de ação, outro ponto interessante. David Tennant (Harry Potter e o Cálice de fogo, Como treinar o seu dragão) interpreta o divertido mágico Peter Vincent, com seu sotaque carregado, ele fica encarregado de manter o tom de humor da segunda metade, ele não é extremamente bem sucedido, mas também não compromete. Outra surpresado elenco é a presença de Christopher Mintz-Plasse (Superbad, Kick ass), o eterno Mcloving surge como um ameaçador vampiro, e consegue realmente ser assustador, fato inusitado para um cara tão associado a comédia.

                  Puro escapismo, A hora do espanto acerta ao se aceitar como apenas isso, e se você embarcar nessa  conseguirá se divertir durantes as quase duas horas do filme. Aos fãs dos filmes oitentista fica aí uma boa opção de reviver o sentimento da época. Já pra você que procura um filme sério, corra, como se estivesse fugindo de Jerry, o vampiro mais divertido dos últimos tempos.            

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