domingo, 31 de julho de 2011

A Onda (Die Welle - 2008)

A onda é um dos filmes que eu sempre me pego assistindo de novo e de novo cada vez que decido assistir a algum filme da minha coleção. Um drama alemão que em alguns aspectos pode ser comparado ao Clube da Luta de David Fincher.

É a história de um professor e uma experiência sociológica com seus alunos. Sob a premissa que seria impossível que a Alemanha caísse de novo em um regime de Ditadura, o professor resolve propor um experimento: durante uma semana, seus alunos seriam regidos por um sistema de auto-governo. Uma Autocracia. Os alunos são contagiados pelo espírito de equipe e a falsa idéia de liberdade que sua nova "sociedade" lhes dava. Eles batizaram sua nova sociedade de A Onda.


O diretor alemão Dennis Gansel quebra o Tabu que é falar de nazismo na Alemanha. Ele mostra de forma clara e contundente porque uma autocracia, tal como o nazismo conseguia inflamar tantos seguidores. Desconstruíndo os valores básicos desse sistema social, ele consegue mexer com a cabeça confusa de seus alunos. Adolescentes sedentos por um objetivo. Um ideal.

O filme segue uma evolução narrativa dividida em dias. E durante essa semana, é possível ver como uma sala de aula comum se tornou em um movimento social maior do que ele mesmo. Jurgen Vogel é o professor Reiner Wenger. Devo dizer que nunca vi nenhum outro filme com ele. não por falta de interesse, mas por sempre me escapar da memória quando vou procurar por novos conteúdos. Mas fiquei impressionado com a crueza e o realismo com que ele interpreta o professor. Por um momento, ele consegue convencer que uma ditadura é realmente uma coisa boa.

Já de início, vemos a forma como seu personagem é construído. Um professor fora dos padrões convencionais. Jovem, tatuado, escuta rock e vive em uma casa flutuante. É o "rebelde" na escola onde da aula e mal visto pelos outros professores. Mas como todo bom rebelde, ele está cagando pra isso.

O que era um experimento de classe, logo vira vandalismo, quando os alunos sentem a necessidade de divulgar seu movimento através de pixações e adesivos, excluindo e passando por cima de quem se opõe.

Esse filme é uma crítica social pesada a Alemanha do século XXI. Um retrato de uma geração carente de lideranças e que está disposta a se agarrar com unhas e dentes ao primeiro osso que lhes forem jogados. Bem dirigido, com atuações surpreendentes e uma trilha sonora de rock fantástica. É um dos filmes que eu sempre recomendo para os mais dispostos, que procuram absorver um filme ideológico. Muito bom.

Um comentário:

  1. Grande filme, tive o privilégio de assisti-lo na tela grande.

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